PILATES PODE REDUZIR A DIÁSTASE ABDOMINAL?

No nosso estúdio de pilates na Vila Mariana sempre conversamos com clientes que presentan diástase abdominal que o músculo reto do abdome é formado por dois feixes anteriores à direita e à esquerda com a linha alba no centro.

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Com ação de flexionar o tronco à frente, o músculo reto do abdome participa da proteção às vísceras e manutenção da postura, também é um músculo expiratório.

A diástase do reto do abdome (DRA) é a separação patológica dos feixes do músculo reto maior de 3cm (aproximadamente 2 dedos). A localização é orientada pelo umbigo, podendo ser acima do umbigo, chamada de diástase supra umbilical ou abaixo do umbigo, chamada de infra umbilical.

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A disfunção acomete principalmente as gestantes e prevalece no pós parto. A expansão do útero afeta a geometria do músculo, resultando em alongamento dos músculos abdominais e hiperlordose lombar, com redução da força muscular abdominal. A diástase é mais do que um problema estético, podendo levar a dores nas costas também conhecida como dor lombar e evoluir para hérnia epigástrica ou umbilical. Nas mulheres no pós parto a DRA pode regredir entre 6 meses até um ano. Mas a DRA não acomete apenas as mulheres, ela tem incidência em ambos os sexos, em todas as faixas etárias, e é comum a prevalência em homens, sendo associada com o aumento da idade, flutuações de peso, obesidade, levantamento de peso, abdominais incorretos, fraqueza genética dos músculos abdominais.

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O modo mais preciso de aferir o tamanho e dimensão da DRA é através da tomografia ou ultrassom do reto do abdome. Contudo, na prática clínica é possível avaliar o paciente de modo rápido. Este deve ficar em decúbito dorsal (barriga para cima) com os braços ao lado do tronco ou com as mãos na nuca, elevar a cabeça tirando as escápulas do solo e manter a posição enquanto o avaliador palpa com segundo e terceiro dedo a linha alba desde o processo xifóide ao púbis. Caso haja afundamento dos dois dedos (3cm), é considerada diástase patológica. Outra maneira de visualizar a diástase é realizando qualquer exercício que aumenta a pressão intra-abdominal causando abaulamento visível da parede abdominal.

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Há estudos que comprovam a relação de diástase do abdome com disfunção do assoalho pélvico. O tratamento para a redução da diástase está no fortalecimento dos músculo transverso do abdome e treinamento postural, contudo o fortalecimento do reto do abdome são proibidos porque aumentam a pressão intra-abdominal e podem aumentar ainda mais a DRA.

O Pilates é um excelente recurso para o fortalecimento do transverso do abdome e assoalho pélvico desde que o profissional tenha conhecimento de quais exercícios são contra indicados. Os exercícios são voltados à melhora da postura e contração do core , nele é possível ao mesmo tempo em que se fortalece braços ou pernas, aumentar a ativação do transverso do abdome e assim reduzir a diástase. As mulheres no pós parto se beneficiam bastante da técnica e em 3 meses já é possível perceber a regressão da diástase.

Alguns exercícios abdominais no Pilates são contra indicados por aumentar a pressão intra abdominal como: roll up, the hundred, teaser sit up, single and double leg stretch entre outros.

Procure um profissional capacitado e cuide-se!

Referências

Michalska et al., Diastasis recti abdominis — a review of treatment methods. Ginekologia Polska, 2018, vol. 89, no. 2, 97–101.

Spitznagle TM, Leong FC, Van Dillen LR. Prevalence of diastasis recti abdominis in a urogynecological patient population. Int Urogynecol J Pelvic Floor Dysfunct. 2007; 18(3): 321–328.

Benjamin DR, van de Water AT, Peiris CL. Effects of exercise on diastasis of the rectus abdominis muscle in the antenatal and postnatal periods: a systematic review. Physiotherapy. 2014 Mar;100(1):1-8.